MARÇO-MÊS INTERNACIONAL DA MULHER
- Jornal do Juveve
- 20 de mar.
- 3 min de leitura
Mulheres guerreiras
Elas têm o poder de matar um leão por dia, criam seus filhos praticamente sozinhas e cuidam da casa e do trabalho.

“Tive o prazer de gestar e maternar por duas vezes.
Foram experiências completamente diferentes.
Quando tive minha primeira filha, Luiza, tinha recém completado 19 anos, ou seja, devido a pouca idade, inexperiência e também ao cenário em que estava inserida, tive auxílio dos meus pais para conduzir e me ajudar a criá-la.
O relacionamento com o pai de minha primeira filha, era consideravelmente longo para minha pouca idade, estávamos juntos entre idas e vindas desde meus 15 anos.
Ele infelizmente não teve maturidade para lidar com o que estava por vir, colocando fim em nosso relacionamento e me desamparado por completo em minha gestação.
Porém não me faltou amparo e apoio, seja de meus amigos, familiares, mas principalmente dos meus pais.
Dando para mim todo suporte emocional e financeiro.
Para que minha filha tivesse direitos exercidos pelo pai tivemos que ingressar judicialmente, ao longo desses 12 anos tudo o que ela recebe é o que está determinado pela lei, nada mais.
O que resultou em um afastamento quase que definitivo, pois infelizmente o laço não foi criado.
Minha segunda experiência foi um tanto mais leve e madura, quando engravidei do Bento já havia entrado na casa dos 30, ou seja, mais consciente e preparada.
Tive uma relação de amizade com o pai do Bento de mais de 15 anos, éramos velhos conhecidos da adolescência.
Somos o completo oposto, uma das razões de optarmos por não ficarmos juntos.
Fomos muito amigos durante minha gestação, tive ele por perto a todo momento.
As coisas mudaram um pouco após o nascimento.
Optamos por ingressar na justiça para que fosse definido questões alimentícias e de convívio, e sabemos como um processo litigioso é demorado e deixa marcas.
Após o mesmo findar, firmamos nosso convívio amigável e respeitoso sempre em prol do nosso bem maior.
Diferente da Luiza, hoje crio o Bento por conta própria, sem ajuda dos meus pais em qualquer quesito, pois infelizmente a vida meu deu um golpe duplo.
Enquanto estava grávida perdi meu pai e minha mãe no intervalo de um mês. Foi um baque muito grande..
O que me fez amadurecer mais como mulher e mãe, entendi que estava por minha conta, que o que ficava era o legado e que a provisão vem de Deus, e ele está provendo.
Falando do preconceito, acredito que a mãe num geral sofre, porém a mãe solo sofre de todos os lados.
Seja por julgamento da sociedade, pelos questionamos como se a mãe fosse a errada ao escolher parceiros que decidem se devem ou não ser pais, sendo sempre taxada como a errada.
Escutei uma vez a seguinte frase em tom de justificativa “99% do filho é da mãe”, e o mais engraçado foi que escutei de outra mãe.
O que me faz pensar que infelizmente enquanto esse tipo de pensamento existir, teremos homens omissos às suas responsabilidades.
No quesito profissional também é bastante complicado, a mulher por si só já não é vantajosa para as empresas pois pode querer ou ficar grávida, e quando já é mãe os questionamentos de “com quem seu filho pode ficar se adoecer?”, “você não tem rede de apoio?”, “a escola fica até que horário?”, e caso qualquer das suas respostas não seja condizente ao que querem ouvir, você já não serve.
Optei por nesse primeiro ano de vida do Bento, me dedicar integralmente a ele e a Luiza.
Fui e sou privilegiada por poder viver isso.
Sou uma mulher com quase 32 anos, mais vivida, com tranquilidade no coração e discernimento para definir minhas batalhas.
Meu foco neste ano é voltar a me olhar, a focar nas minhas atividades, voltar ao mercado de trabalho e assim fazer a vida fluir.
Num geral a minha maior dificuldade foi lidar com a nova realidade, uma realidade sozinha e sem apoio.
Creio que a geração dos meus pais batalhou muito para conquistar tudo que tiveram, porém por terem sofrido demais aliviaram muito para a nova geração, principalmente para os homens. Criando mulheres fortes e destemidas e homens cada vez mais fracos e dependentes.
Por fim, desejo um feliz dia das mulheres a todas, e minha grande admiração a todas as mães.” Bruna Kolisnick
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